Resenha - O Perfume
Ler o livro O Perfume não foi uma tarefa fácil, principalmente porque o que menos gosto em livros de autores estrangeiros é a dificuldade de ler os nomes dos personagens, das ruas e de qualquer coisa que não seja possível traduzir para o português.
Escrito pelo alemão Patrick Süskind, o livro se passa na Paris do século XVIII. Süskind é muito bem-sucedido ao criar a ambientação das ruas, lojas e paisagens da Paris do século XVIII. Cada detalhe desperta muito nojo e fascinação ao mesmo tempo.
A trajetória de Jean-Baptiste Grenouille, o personagem principal do livro, e seu dom excepcional de sentir e reproduzir quase todos os aromas chamou muito a minha atenção pelo fato intrigante de existir uma pessoa capaz de sentir qualquer cheiro, mesmo que a fonte esteja a quilômetros de distância.
Grenouille criou um mundo paralelo dentro da própria mente, um universo onde ele era o rei. Um mundo de fragrâncias que a gente nem consegue imaginar.
O grande erro do personagem foi viver dentro do próprio universo na maior parte do tempo. Aos poucos, ele deixou de enxergar as pessoas como pessoas.
É difícil não pensar em tudo que aconteceu antes de julgá-lo. Jean-Baptiste Grenouille sobreviveu ainda bebê depois de ser abandonado pela própria mãe, foi enviado para um orfanato e depois vendido para trabalhar em um curtume, onde continuou sendo tratado como um nada durante boa parte da vida.
Ele era muito mais do que as pessoas imaginavam e encontrou uma maneira de deixar isso claro. Por meio de aromas inimagináveis até mesmo para o melhor perfumista do mundo, conseguia manipular as pessoas sem que elas sequer percebessem o que estava acontecendo.
Para criar o perfume que seria sua obra-prima, ele escolhe um caminho perverso e cruel. Não porque tenha nascido um monstro, mas porque, de certa forma, se tornou um produto do próprio meio em que viveu e dos maus-tratos que sofreu durante quase toda a vida.
Eu demorei muito para terminar de ler esse livro, e ele nem é tão grande, é um livro normal de 280 páginas. Mas houve momentos em que eu ficava cinco dias seguidos sem pegar no livro.
Eu já tinha visto o filme há uns 20 anos e, obviamente, não tinha a mesma percepção que tenho hoje. Claro que revi o filme durante a leitura do livro e gostei igualmente, mas dessa vez conhecendo a fundo a mente do personagem principal, a experiência pareceu ser mais imersiva e visceral.
O Perfume é um livro que entrou para a lista dos meus livros favoritos e pretendo relê-lo daqui uns anos. Vale a pena cada página.
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