BLOG DO TH

Otário

Ontem eu paguei R$ 20 num cappuccino. Sim, você leu certo. Vinte reais. E não tinha absolutamente nada demais nele, só um pouquinho de canela por cima.

Tudo aconteceu depois do expediente, quando fui visitar o estúdio de design de um amigo meu. O estúdio fica num coworking famosinho aqui na cidade e tem um café anexo. O dia estava frio e eu tinha esquecido o casaco em casa.

Quando vi o café, nem olhei o preço. Só pedi para a atendente preparar um cappuccino pra mim. Na minha cabeça, eu estava fazendo uma escolha simples e sensata: tomar alguma coisa quente para não morrer congelado. Quando fui pagar, veio a surpresa: R$ 20.

Eu me senti otário pra caramba.

Porque, se tem uma coisa que eu valorizo, é o meu dinheiro. Se fosse um desses iced coffees gigantes, com caramelo, Nutella, chantilly, leite de alguma castanha rara e mais umas quinze coisas dentro, até ia. Mas não. Era um simples cappuccino. Café, leite e um pouco de canela por cima. Vinte conto.

Naquele momento me lembrei daquela velha história de que todos os dias saem de casa um malandro e um otário. Ontem, aparentemente, o otário saiu de casa sem casaco e com vontade de tomar cappuccino.

Tirando esse pequeno assalto consentido, o encontro com meu amigo foi super bacana. Trocamos uma ideia legal, colocamos o papo em dia e depois cada um seguiu para sua casa.

Eu voltei feliz pelo encontro, aquecido pelo cappuccino e R$ 20 mais pobre.

Pelo menos aprendi uma coisa: da próxima vez que eu entrar num café famosinho, antes de perguntar se tem cappuccino, vou perguntar se aceitam pagamento com saldo do FGTS.

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