BLOG DO TH

Minha palestra sobre negritude e comunicação

Essa semana eu dei uma palestra sobre negritude e comunicação para os alunos do 5º período do curso de marketing de uma faculdade conhecida aqui no interior de Santa Catarina.

Foi uma experiência muito legal compartilhar com os mais jovens um pouco da minha experiência no mercado de comunicação e marketing através da minha perspectiva de pessoa preta. Trouxe alguns dados de mercado divulgados na pesquisa Publicidade Inclusiva – Censo das Agências Brasileiras 2024 feita pelo Observatório da Diversidade na Propaganda com o apoio da Gestão Kairós e do Sinapro do estado de São Paulo.

Além desses dados de mercado também conversei com eles sobre a história do povo negro no brasil, traçando uma linha do tempo que se inicia em 1550 com a chegada das primeiras pessoas escravizadas no país até 1888 e as consequências cruéis que essa estrutura causa até hoje, apesar dos grandes avanços que tivemos, quando o assunto é acesso a educação e renda. Indiquei livros e influenciadores negros que exploram bastante esse assunto para que eles possam se aprofundar mais sobre o tema.

Foi muito bacana ver a atenção e o interesse legítimo sobre o tema que a maioria da turma demonstrou durante a palestra, muitos vivem numa realidade completamente diferente e tem poucas oportunidades de conhecer a história do Brasil e da comunicação por uma outra perspectiva que não a narrativa colorida do imigrante europeu que "chegou sem nada" e conseguiu vencer em terras tupiniqiuns.

Aqui no sul do país, principalmente no interior, os jovens crescem acreditando no conto de fadas dos seus antepassados que vieram para o Brasil no século XIX ou na diáspora dos anos 40 para fugir da grande guerra. Muitos não tem noção que são frutos de um projeto de branqueamento do Brasil e que muitos desses imigrantes chegaram aqui com apoio do estado brasileiro com terra garantida ou contrato de trabalho.

Claro que isso não apaga a história de determinação, luta e muito trabalho que essas pessoas tiveram para se estabelecer no Brasil. Eu tenho muita admiração pelo povo catarinense, mas falta para a maioria reconhecer os privilégios, mesmo que mínimos, que seus antepassados tiveram e que permitiram que tivessem condições de trabalhar na própria terra, produzir, ter renda e construir patrimônio.

Deixo meu agradecimento a querida Professora Ana Clara Berndt, doutoranda na FEAUSP pelo convite.

Que tenhamos mais oportunidades de compartilhar histórias e dividir conhecimento.

Este blog não tem comentários, se quiser conversar comigo sobre este post me envie um e-mail ou deixe um recado no guestbook.


POSTS POPULARES

‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎