Café na padaria e novos projetos

Hoje estou me sentindo um gringo usando o laptop num café. No meu caso, o café é a padaria do meu bairro, toda enfeitada com temas do Brasil para a Copa do Mundo. De vez em quando eu gosto de tomar café da manhã por aqui antes de ir para o trabalho. É o meu momento “nômade digital”, só que com pão na chapa, pão de queijo e um pingado.
Já tem mais de um ano que mantenho esse blog no ar e sempre atualizado. Claro que, se comparado com o blog de alguns amigos que já estão no ar há 10, 20 anos, é um período muito curto. Mas, para mim, que tenho o péssimo hábito de começar um projeto super empolgado e abandonar depois de três meses, isso é uma vitória e tanto.
Já falei aqui, muitas vezes, que desde adolescente eu me interesso por escrever e até achei que seria um escritor profissional algum dia. Acabei priorizando outros caminhos profissionais e a escrita criativa ficou apenas como um hobby. É a minha pelada de fim de semana.
Agora iniciei um novo projeto que é um desdobramento deste blog: uma página de frases e citações no Instagram. O nome é Quadrado Marrom. Minha ideia também é compartilhar fotos em halftone, essas imagens reticuladas, iguais à que ilustra este texto.
Ano passado eu escrevi sobre o meu relacionamento com o Instagram, uma crise de instala e desinstala aplicativo, arquiva posts, desarquiva posts. Desde então, minha rotina de uso se tornou mais saudável, com limitações de tempo. Hoje eu gasto, no máximo, uma hora por dia usando a rede social. Configurei a função de Gerenciamento de Tempo para me lembrar de fechar o app sempre que alcanço esse limite. Funcionou.

Essa é a prova de que o problema nunca foi exatamente a ferramenta, mas a forma como a gente usa. O martelo pode construir uma casa ou acertar o seu dedo. Depende muito do dia e da sua coordenação motora.
Agora que criei a página no Instagram, entrei em um pequeno caos porque estou ficando sem ideia do que publicar lá e sem conseguir fazer coisas muito bonitas. Então decidi fazer o básico: quadrado marrom com texto em cima.
Apesar de trabalhar como designer, minha mente está há tantos anos criando coisas corporativas para SaaS e outros negócios B2B que, nas minhas horas vagas, não consigo ser tão criativo nos meus próprios projetos. Ou talvez a minha inspiração venha mesmo das contas que precisam ser pagas todos os meses. Nada como um boleto vencendo para destravar a criatividade.
Até o momento em que escrevo este texto, já tenho 11 amigos seguindo a página. Isso que eu chamo de quebrar a internet. Prometo que não vou divulgar BET e nem links de produtos duvidosos da Shopee.
No fundo, acho que tudo isso continua sendo sobre a mesma coisa: arrumar um canto para escrever, brincar com imagens, publicar umas ideias e fingir que existe algum plano muito elaborado por trás. Não existe. Tem só um cara numa padaria, tomando café antes de pegar o ônibus pro trabalho, tentando manter um blog vivo e agora inventando moda no Instagram.
A grande revolução criativa da vida adulta é só continuar fazendo alguma coisa depois que passa a empolgação inicial. Mesmo que seja com um quadrado marrom, uma frase em cima e 11 seguidores. Seguimos. Sem divulgar BET e sem fuder com a vida de ninguém.
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