Cadê o resto da música brasileira?
Ontem olhei o ranking das 50 músicas mais ouvidas do Spotify Brasil. Não fiquei surpreso, mas confesso: fiquei triste.
No Top 10, basicamente funk e sertanejo. Isso fala sobre o momento cultural do país e por onde o dinheiro circula.
Antes que você ache que sou um desses babacas de camiseta preta, não estou dizendo que funk e sertanejo não são cultura. São sim. O problema é quando o mainstream fica concentrado em dois estilos que parece que todo o resto deixou de existir.
Talvez o problema nem seja o gosto das pessoas, mas essa estrutura corporativa empurrando sempre as mesmas coisas.
O rock nacional virou um cadáver sorridente. Um subnicho de um estilo que já foi enorme. Hoje é um tiozão cringe dizendo no churrasco que “na minha época era diferente”. E pior que era mesmo.
Também pudera. Os rockeiros afastaram os mais jovens. Não basta gostar de rock, tem que provar que é digno e transformar gosto musical em prova do Enem.
Tive sorte de ser criança nos anos 90 e adolescente nos anos 2000. Peguei uma época em que rock, MPB, pop e rap dividiam espaço.
Hoje o mercado brasileiro está gigante. Em 2025, o Brasil virou o 8º maior mercado de música gravada do mundo. Música brasileira não falta. Público também não. O que falta é espaço para outras sonoridades respirarem.
Ainda tem gente boa fazendo coisas interessantes. A música brasileira vive. Mas o mainstream está preso entre dois estilos e não consegue sair desse looping.
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